domingo, 23 de setembro de 2012

Estudo que relaciona alimentos transgênicos e câncer é contestado


O estudo conduzido pelo pesquisador francês Gilles-Eric Seralini publicado no dia 19 de setembro na revista Food and Chemical Toxicology tem sido fortemente criticado pela comunidade científica. Especialistas afirmam que a pesquisa contém imprecisões científicas que induzem às conclusões dos autores. A referida pesquisa sugereque ratos alimentados com alimentos geneticamente modificados (GM) morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência que os demais.
O chefe de pesquisas nutricionais da Kings College de Londres, Tom Sanders, diz que é necessário cautela ao avaliar essas conclusões. Segundo ele “a linhagem de ratos que a equipe francesa utilizou sofre de tumores de mama facilmente, especialmente quando recebem comida ilimitadamente, ou milho contaminado por um fungo comum que causa desequilíbrio hormonal, ou apenas devido à idade”.
O cientista da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, Anthony Trewavas, acrescenta que em qualquer estudo, para apresentação de dados estatísticos, deve haver o mesmo número de controles (ratos os que eram alimentados normalmente) e de testes (ratos alimentados com o milho transgênico e com o herbicida). “Havia apenas 20 dos ratos de controle e 80 dos de teste e sem esses controles adicionais estes resultados não têm nenhum valor”.
Além disso, testes como estes já foram feitos antes, com maior rigor, e não se observou nenhum efeito dos alimentos transgênicos sobre a saúde. A equipe francesa alega ser a primeira a testar todo o ciclo de vida do animal. Mas “a maioria dos estudos toxicológicos é terminado no tempo normal de vida dos ratos – dois anos”, diz Sanders. “A imortalidade não é uma alternativa”, completa. O cientista da Universidade de Adelaide, na Austrália, Mark Tester concorda que as conclusões do estudo são precipitadas. “Elas mostram que ratos mais velhos desenvolvem tumores e morrem, isso é tudo o que se pode concluir”.
O professor do Instituto de Pesquisas Rothamsted Maurice Moloney, onde é realizada grande parte dos estudos com transgênicos no Reino Unido, afirma que também há problemas na apresentação das fotos, já que sugerem que os controles nunca desenvolvem tumores. “Se houve um controle que acabou mostrando tipos semelhantes de tumorigênese, como de fato aconteceu, então uma imagem daquele rato também deveria ser mostrada, para que assim pudéssemos ver se existem diferenças qualitativas entre eles.”

CIB

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Fragmentos móveis de DNA são abundantes no genoma da cana-de-açúcar

Pesquisa FAPESP - DNA Cigano

Os transposons são fragmentos que, a qualquer momento, duplicam-se ou se destacam de onde estão e se instalam em outras partes do DNA, às vezes junto a genes essenciais ou até em meio à estrutura desses genes. Na investigação desses curiosos personagens moleculares, o grupo da bióloga Marie-Anne Van Sluys, da Universidade de São Paulo (USP), ataca o genoma da cana-de-açúcar em bloco – um enfoque inovador. E mostra que os movimentos desses fragmentos são menos aleatórios do que se imagina e possivelmente têm papel importante na dinâmica do genoma.

Essa análise em ampla escala tornou-se possível graças aos resultados do Projeto Genoma Cana-de-Açúcar (Sucest), encerrado em 2001, que desvendou sequências do genoma funcional dessa planta essencial na economia brasileira e revelou a existência de 276 elementos de transposição ativos – ou expressos, no jargão da biologia. “Em 2005 demoramos dois meses para convencer o editor da Plant Journal de que o resultado era real, e não uma contaminação”, recorda Marie-Anne. Naquela época, estudos genômicos feitos inteiramente por pesquisadores brasileiros eram incomuns e o resultado surpreendia. Mas a revista acabou publicando o artigo, depois de aceitar o indício de que esses trechos do DNA – também conhecidos como transposons – deveriam ter função, embora ainda não se soubesse qual era.

A partir dos resultados do Sucest e do aumento da capacidade de gerar e analisar enormes volumes de dados, o grupo de Marie-Anne se debruçou de 2009 em diante, em colaboração com colegas do estado de São Paulo, no sequenciamento de mil pedaços seletos do genoma da cana-de-açúcar. Sua equipe hoje parece uma linha de produção de conhecimento científico, e de certa maneira é: uma série de artigos deste ano traz avanços importantes sobre o funcionamento dos transposons.

Aqui você pode ouvir a entrevista com a pesquisadora  Marie-Anne Van Sluys no programa da Pesquisa Brasil (24/08/2012).

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sábado, 11 de agosto de 2012

Vídeo: Transgênicos presentes no nosso dia a dia (CIB)

O CIB, em sua seção de vídeos CIBtv, traz curiosidades sobre transgênicos presentes no nosso dia a dia, como as enzimas. Mais de 50% das enzimas utilizadas na produção de alimentos são obtidas por transgenia. 


A seção no site conta com diversos vídeos atuais relacionados a agricultura, alimentação, transgênicos e biotecnologia. Veja mais aqui.
Conselho de Informações sobre Biotecnologia

terça-feira, 17 de julho de 2012

2º Encontro Paranaense de Melhoramento de Plantas


"O 2º Encontro Paranaense de Melhoramento de Plantas-EPMP, tem como objetivos discutir as aplicações teóricas e práticas de diferentes metodologias na rotina de um programa de melhoramento de plantas, bem como as perspectivas futuras para esta área essencial da Agronomia.
Espera-se que o Encontro seja o foro ideal para debates, trocas de informações e experiências sobre os temas a serem explanados por diferentes profissionais (Pesquisadores e Docentes) dos setores público e privado, envolvidos com melhoramento vegetal e biotecnologia aplicada.
Dessa forma convidamos profissionais, docentes, alunos de graduação e pós-graduação, que atuem direta ou indiretamente com melhoramento vegetal e biotecnologia aplicada, a participarem deste importante evento promovido pela Regional Paraná da Associação Brasileira de Melhoramento de Plantas."

  • 16 e 17 de outubro 
  • Inscrição on-line até 5/10
  • Local - IAPAR, localizado em Londrina/PR na marginal da Rodovia Celso Garcia Cid (PR 445), km 375. A estrutura utilizada será a do Centro de Difusão de Tecnologia (CDT/IAPAR).
  • Programação

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Brasil está próximo de concluir sequenciamento do genoma da cana

Paulo Arruda, coordenador do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética da Universidade Estadual de Campinas, entidade que, em parceria com instituições brasileiras e americanas, desenvolveu uma ferramenta que auxilia o processo de sequenciamento genético da planta, chamado de biblioteca de Cromossomo Artificial de Bactéria (BAC).

“Mapear o genoma da cana é um desafio enorme, pois ele é um dos mais complexos que existem na natureza. Por isso, acredito que a BAC deverá facilitar a vida dos diversos pesquisadores envolvidos neste trabalho. Sendo otimista, acredito que até o fim de 2012 ele estará concluído,” avalia Arruda.O processo de sequenciamento completo do genoma da cana deverá ser concluído até, no máximo, o início de 2013.

“A conclusão do sequenciamento do genoma da cana resultará no desenvolvimento de novas variedades mais produtivas e resistentes a pragas e intempéries climáticas”, Alfred Szwarc, consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Glaucia Mendes Souza, coordenadora do Programa de Pesquisa em Bioenergia da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (BION-Fapesp), instituição que financia as principais pesquisas com o genoma da cana no Brasil, incluindo a Unicamp, explica o que falta para se finalizar o sequenciamento do genoma da cana. Segundo ela, o desafio está no desenvolvimento de uma tecnologia capaz de separar as dez cópias de cromossomos da cana, diferentemente do arroz, do sorgo e até mesmo dos seres humanos, que possuem apenas um par da molécula. “Para resolver isso, estamos criando em parceria com a Microsoft Research um algoritmo que separe estas cópias. Estamos quase lá,” revela. 

Além de abrir inúmeras possibilidades para o setor no futuro, o sequenciamento do genoma da cana possibilitará enxergar também o passado da cana, e confirmar, por exemplo, uma suspeita: qual a espécie primitiva da cana, responsável pela origem do sorgo, que também influenciou o surgimento do milho, em um processo ocorrido há nove milhões de anos.